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Os números da desigualdade racial no trabalho formal do turismo brasileiro

  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Natalia Araújo de Oliveira | Labor Movens



Muita gente já imaginava que o turismo, por ser um setor historicamente precarizado, pagasse salários menores às pessoas negras — mesmo quando ocupam os mesmos postos de trabalho. O problema é que, até pouco tempo atrás, quase não havia pesquisas que mostrassem essa realidade de forma sistemática. Em 2021, Briguglio, do Labor Movens, foi uma das primeiras a levantar o alerta, usando diferentes fontes de dados para denunciar essa desigualdade (acesse o trabalho de Briguglio aqui). Agora, em 2026, dispomos de um panorama mais completo. Com base nas informações do Observatório Nacional do Turismo, que utiliza dados da RAIS 2024, Oliveira mostrou como o setor é profundamente desigual.


Os números revelam que trabalhadores negros recebem menos em todas as áreas das Atividades Características do Turismo (ACTs), e que justamente nos segmentos em que eles são maioria — como alimentação e alojamento — os salários são os mais baixos. Já no transporte aéreo, no qual os salários são mais altos, a presença de pessoas negras é mínima.


Crédito: Freepik Magnific, 2026.
Crédito: Freepik Magnific, 2026.

A desigualdade salarial torna-se ainda mais evidente quando se observam os rendimentos médios por raça/cor. No transporte aéreo — segmento com os maiores salários do turismo brasileiro — trabalhadores brancos recebem, em média, R$ 11.575,15. Entre trabalhadores pardos, a média cai para R$ 6.219,88, enquanto trabalhadores pretos recebem R$ 5.452,99. Isso significa que trabalhadores pardos recebem 46,2% menos que trabalhadores brancos, enquanto trabalhadores pretos recebem 52,8% menos.


Mesmo nos setores de menor remuneração, as disparidades permanecem. Na alimentação — atividade com os menores salários médios entre as ACTs — trabalhadores brancos recebem, em média, R$ 2.047,82, enquanto trabalhadores pardos recebem R$ 1.870,26 e trabalhadores pretos R$ 1.907,06.


As diferenças também aparecem na permanência no emprego formal. Trabalhadores brancos permanecem, em média, 45,7 meses nos postos de trabalho do turismo, enquanto trabalhadores pardos permanecem 33,2 meses e trabalhadores pretos apenas 31,6 meses. Os dados sugerem que a desigualdade racial no turismo não se limita ao acesso ao emprego, mas atravessa também estabilidade, permanência e possibilidades de ascensão profissional.


Esses resultados reforçam que o turismo não está dissociado das desigualdades estruturais da sociedade brasileira. Pelo contrário, o setor reproduz relações de poder racializadas que historicamente organizam o mercado de trabalho no país. Reconhecer essas disparidades é fundamental para a formulação de políticas públicas e iniciativas voltadas à promoção de maior equidade racial no turismo.


Além disso, é importante destacar que a pesquisa analisou exclusivamente o trabalho formal. Considerando a elevada presença da informalidade nas atividades turísticas — especialmente em segmentos mais precarizados — é possível que as desigualdades raciais no setor sejam ainda mais profundas do que aquelas evidenciadas pelos dados apresentados.


Para ler o estudo completo e conferir todos os dados detalhados, acesse o artigo original na RITUR: Clique aqui para acessar.



 
 
 

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