Trabalhadores do turismo no Rio Grande do Norte e a COVID-19: uma crise sanitária e social

Cesar Sanson, Luana Junqueira Dias Myrrha & Moema Hofstaetter | UFRN


Uma pesquisa realizada em meados do ano passado entre trabalhadores do turismo no Rio Grande do Norte – um estado economicamente dependente do turismo – revelou que os impactos da pandemia foram devastadores para as condições de trabalho e renda dessa categoria. Houve queda vertiginosa na renda, interrupção do trabalho e absoluta dependência do programa federal de Auxílio Emergencial como fonte de renda. Considerando-se a continuidade da pandemia que não arrefeceu em sua escalada de contaminação, as probabilidades são de que esses efeitos perdurem até o momento, podendo até mesmo terem sidos agravado pelas medidas mais severas de restrições.


Crédito: Lucas Cortez/Inter TV Cabugi.


A pesquisa foi conduzida pelos pesquisadores Cesar Sanson, Luana Junqueira Dias Myrrha, ambos professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e Moema Hofstaetter, doutoranda do Departamento de Turismo da mesma universidade.


O estudo analisou o perfil demográfico e socioeconômico de trabalhadores formais e informais do turismo, a renda e a jornada antes e durante a pandemia e a expectativa dos trabalhadores sobre o futuro do turismo no RN. Como resultados, as principais consequências econômicas da Covid-19 para os trabalhadores do turismo no Estado foram: queda drástica da renda em ambos os grupos (formais e informais), demissões, flexibilização do contrato de trabalho e redução da jornada de trabalho ocasionadas pela diminuição de público a ser atendido. Para os respondentes da pesquisa, o contexto da pandemia se apresenta ainda com expectativas nada animadoras sobre o futuro do turismo no estado.


A pesquisa acentua que a maioria absoluta dos trabalhadores em atividades do turismo, particularmente no nordeste brasileiro, é caracterizada como informais, grupo que reúne ampla variedade de tipificações, porém tem em comum a completa ausência da proteção de direitos. Para esses, os efeitos da pandemia foi ainda pior. Segundo a pesquisa, aproximadamente 60% dos trabalhadores informais do turismo ficaram literalmente sem nenhuma renda. O dado revela-se alarmante quando comparado com o percentual anterior a pandemia, no qual menos de 1% não detinha renda mensal.


Esses trabalhadores do turismo, que de acordo com pesquisa trabalham muito e ganham pouco, com a crise provocada pela pandemia passaram a depender do Auxílio Emergencial.


Pensando nos desafios, os pesquisadores assinalam que essa crise sem precedentes exige de todos – gestores, empresários, agentes do Estado, profissionais e pesquisadores da área de turismo – que saiam de suas bolhas e contribuam para um debate mais amplo, ou seja, em como oferecer alternativas diante do gigantesco desafio da crise, com a inclusão também dos trabalhadores e não apenas a preocupação com os vetores econômicos do turismo. É preciso incorporar no debate aqueles que estão na ponta da cadeia do turismo e que na maioria das vezes estão invisibilizados.


Sugerem ainda que turismo, trabalho e ecologia são variantes que precisam ser articuladas e relacionadas e destacam que o agravamento da crise pandêmica da Covid-19 abre uma janela para que se pense em propostas inovadoras que levem em consideração outros arranjos econômicos e políticos na perspectiva da inclusão social e no cuidado com o meio ambiente.


As informações sobre pesquisa e o seu relatório pode ser acessadas aqui:

https://demografiaufrn.net/2020/07/29/covid-trabalhador-turismo/

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